(para Tatiana)

Foto by: Hassan Farahani
A tacinha não reconhece manhãs de sol.
A tacinha absorve o dia em sua cor.
A tacinha abre o ventre para o paladar inquieto.
A tacinha respira o calor das paixões inveteradas.
A tacinha inebria a narina excitada do visitante.
A tacinha encosta a língua no céu do ouvido.
A tacinha sopra os cabelos da resistência.
A tacinha suspira conflitos do corpo.
A tacinha expande a fragrância do encontro.
A tacinha concede delírios à noite.
A tacinha incorpora a presença do enleio amoroso.
A tacinha concentra desejos inequívocos.
A tacinha sufoca o rosto de quem resiste.
A tacinha esconde os olhos da devoção.
A tacinha presencia a mudança do que era.
A tacinha acompanha a troca da respiração.
A tacinha saúda a vivacidade do agora.
A tacinha deseja a alma da frente.
A tacinha come o ouvinte do lado.
A tacinha liberta o desejo recíproco.
A tacinha aprisiona o sentido da lucidez.
A tacinha esquece que o dia precisa nascer.
A tacinha não pede licença ao gargalo.
A tacinha invade o líquido da incerteza.
A tacinha pede segundos de contemplação antes da invasão.
A tacinha abre mão da espera refeita.
A tacinha leva para a cama o regresso da saudade.
A tacinha enche o peito da esperança que adormeceu.
A tacinha legitima a vinda da chuva.
Jânio Dias