Vestígios do Dia



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“Todo dia nasce um bebê,

Pra dividir a vida com você

Todos os dias vão nascer

Ié ié ié!”

 

Pato Fu em, Amendoin

 

 

“ Tempo, tempo, tempo, mano velho...

Tempo, tempo, tempo, mano velho...

Vai, vai, vai, vai, vai... Vai!

Tempo amigo seja legal

Conto contigo pela madrugada

Só me derrube no final”

 

Pato Fu em, Sobre o Tempo

 

 

Então, apareci! Achou que eu iria ficar até junho sem passar por aqui, né? E você acha mesmo que eu ia deixar de te contar que eu tenho em casa (tá aqui olhando pra mim nesse momento) a edição de luxo do First Impressions of Earth que só saiu lá fora? Ou o álbum debut do Arcade Fire, o EP onde se pode ler no encarte “write to arcadefire@hotmail.com”, só para se ter uma idéia de como esse disco é da fase embrionária da banda. Ou que, sim, se você quiser, eu copio o meu My Bloody Valentine pra você.

 

Pois é, só coisa rara e da melhor qualidade. Nada baixado na internet, tudo com capinha original, nomes das músicas na ordem que os artistas montaram o set list (sempre compartilhei da idéia que a ordem das canções em um disco não é por acaso), ficha técnica e alguma outra coisa que só o cd de verdade é capaz de fazer por você. Não discordo, mp3 player é uma dádiva digital, mas mesmo tendo um ipod, ainda vou achar mais interessante e romântico esse formato. Sem contar que é lindo vê-los empilhados, saber que não há espaço para guardá-los, que a ordem deixou de ser alfabética faz tempo (a ordem agora ou é de chegada ou de última audição), ou que aquela lista montada no excel é pouco maior do que se supõe, porque você não teve tempo de atualizá-la.

 

E uma amiga legionária me contou que a canção Natália da Legião não era pra se chamar Natália, e sim o nome da menina que passou a noite no estacionamento do então Metroplitan no Rio de Janeiro quando das apresentações da banda naquela casa em outubro de 1994. Essa menina havia viajado de São Paulo para o Rio com um amigo para os shows que aconteceriam no fim de semana dos dias 08 e 09. Eles chegaram na véspera do primeiro show e foram direto para o Metropolitam. Naquela noite a banda passaria o som e ao ir embora, já de madrugada, Dado e Bonfá viram aqueles dois fãs do lado de fora e os questionaram sobre o que estavam fazendo lá. Eles explicaram que tinham saído de São Paulo para os shows da banda. Conta a lenda que, preocupados, os integrantes convidaram os dois fãs para irem com eles, provavelmente para a casa de um deles. A menina e o menino agradeceram muito, mas recusaram o convite. Então um dos músicos ofereceu o próprio carro para que os dois passassem a noite. Sabendo da história, mas sem saber os nomes dos fãs, Renato escreveu a canção Natália, que na verdade era pra ser Flávia. Ou “Flávia e Jean”.

 

E também tenho que te contar sobre o Pato Fu que eu vi depois de tanto tempo no Sesc Vila Mariana por apenas R$ 10,00. Em época em que as pessoas são capazes de ficar 15 horas em fila para não comprar ingressos de R$ 200,00, assistir ao Pato Fu (ou qualquer outro grande artista do cenário nacional) com tanto “conforto”, comodismo, e segurança, é muito significativo. E pensar que estive na área vip do Tim Festival 2005 por “apenas” R$ 100,00... mal dá para acreditar. Mal dá pra imaginar que pensei duas ou três vezes antes de comprar ingresso para o Tim. E como pensar demais - às vezes - atrapalha, também vou ali intensificar a amizade com a história e dar um abraço no tempo, dia 18 no Rio, e 21 no Morumbi. 



Escrito por Jânio Dias às 00h18
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Mas eu estava querendo era falar do fofo Pato Fu. Ops, eu disse fofo?!! Pois é, a figura doce e sensível da Fernanda Takai extrapola o universo da banda, mesmo. Foi um final de semana inteiro no teatro do Sesc Vila Mariana, 03, 04 e 05 de fevereiro, e totalmente lotado. No início todos sentados. Mas foi só as luzes se apagarem e muitas pessoas se levantaram e ficaram em pé, na ponta do palco dançando, em ambos os lados. Eu fiquei no alto, uma visão privilegiada. Uma espécie de camarote com visão de camarote, mas sem estrutura de camarote, entende? Um lugar perfeito para se observar detalhes do palco e até do público. Tocaram várias músicas do disco novo (que aliás, tem um nome maravilhoso: Toda Cura Para Todo Mal), mas como ensinou Mick Jagger, tocaram também “aquela” que todo mundo sempre espera.

 

As canções do disco novo (não tenho ainda, mas dá pra ouvir fácil na internet como na Rádio Uol, por exemplo) parecem remeter a um universo infantil, de pureza ou inocente quase todo o tempo, o que parece coincidir com a chegada da filhinha do casal pop mais legal do rock nacional, John e Fernanda. O próprio título parece remeter ao nascimento da filha do casal. Mas é o tipo de análise que só com o cd em mãos é possível se estender (outro ponto positivo para o formato cd, pois em uma banda como o Pato Fu, o encarte se expressa sozinho sobre o conceito do disco).

 

Houve um momento muito bonitinho do show quando a Fernanda lembrou que aquela criança que a mãe havia embrulhado num saco plástico e colocado numa lagoa em Minas Gerais era o mesmo lugar onde eles haviam gravado o seu MTV ao vivo, no Teatro da Pampulha, e que a pessoa que havia salvado o bebê era um segurança que eles haviam conhecido quando da gravação do especial, e que na época ele havia pedido um disco deles pra ele, mas eles não tinham naquele momento e prometeram dar depois. Só que nunca mais eles voltaram lá na Pampulha, e o cd nunca foi dado. Mas que quando eles viram o ato heróico na tv e reconheceram a pessoa, ficaram com muita vontade de procurá-lo e dar o cd prometido. Só que se eles fizessem isso agora, pareceria oportunismo, já que o rapaz era um herói nacional. Então, eles disseram que se alguém o conhecesse era para avisá-lo que eles querem muito poder cumprir o prometido. E que enquanto isso não acontecia, eles só podiam dedicar aquela canção a ele, uma canção de um cara que tinha o mesmo nome dele, Roberto Carlos.

 

E por falar em bebê, nasceu a Maria Eduarda. Minha sobrinha. Lindinha. Dorminhoca... quase dez dias já se passaram e toda vez que vou vê-la ela tá dormindo. Quando nasceu, não fez escândalo. Chegou a esse mundo estranho quietinha, quase em silêncio, então o médico bateu no bumbum e perguntou se ela não ia chorar. Ameaçou e fez só um barulhinho. Um ruído rosa. Mas já me disseram que ela também chora, aprende-se rápido isso por aqui. E apesar de até agora eu só tê-la visto de rosa, ela é palmeirense, claro! Lindona. Prova do tempo que passa. Do amor que brota. Da existência que se multiplica. Da vida que traz o novo. Da esperança que fica.

 

Lembrança do “trem da juventude que é veloz, quando foi olhar, já passou...”

 

 

Jânio Dias

 

 

Pato Fu, no Sesc Vila Mariana, SP, 04/02/06, em show da turnê Toda Cura Para Todo Mal

 

 

 

Maria Eduarda, no berçário da maternidade, SP, 05/02/06: um ruído rosa... ou... Toda Cura Para Todo Mal  



Escrito por Jânio Dias às 00h18

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