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PRAIA DO SONHO
De: janiodias@hotmail.com
Para: dadovilla-lobos@rockit.com.br
Carta para um Villa-Lobos
Caro Dado,
É quarta-feira, 25 de janeiro de 2006, feriado de aniversário da cidade de São Paulo. Tá um sol danado lá fora, um calor terrível, até a sombra deve estar se escondendo, mas como é comum nesse período do ano, no final da tarde deve chover.
Um monte de gente tá aproveitando o dia de descanso no meio da semana como pode, não como gostaria. Uns foram para o Shopping (praia de paulista), outros estão nos Sesc’s (praia de paulista), outros no Ibirapuera (praia de paulista), há aqueles que estão trabalhando (essa cidade não pára nunca) e há aqueles que foram ali, na praia. Eu resolvi não ir - ainda - em lugar nenhum (tá, confesso, mais tarde também vou num Sesc, o Pompéia, pra ver uma apresentação do paulista Arnaldo Antunes). Por enquanto (isso dá um belo nome de música, não?), preferi ficar aqui e trocar uma idéia contigo, enquanto ouço o seu cd (eu já te disse que o achei muito bom? É, verdade, muito bom!) e aproveito pra te contar que preferia que hoje ainda fosse sábado passado, 21, quando fui até a praia (uma de verdade) em Itanhaém pra ver o seu show. Fui com a namorada e um velho e combatente amigo Legionário, o Volges. Pegamos a estrada por volta das 14h00 e chegamos em torno de 15h30. Lá tivemos a sorte de encontrar outra velha e querida amiga, que tanto nos honra e nos enche de orgulho por sua dedicação e história como fã da Legião, a Cilene. Ficamos juntos lá, o tempo todo protegidos sob guarda-sóis daquele quiosque atrás do palco, com vista para o mar, que nos servia uma cerveja geladinha e muito prazerosa, batendo papo, lembrando velhas histórias, despertando a saudade e reafirmando a amizade.
Pois é, queria ta lá de novo. Foi tão bom antes e durante o show! Pudemos acompanhar a passagem de som e descobrir ali que você nos surpreenderia com “Um Dia Perfeito”, por exemplo. Havia muita gente, mas o espaço na areia era grande, dava pra andar tranquilamente entre as pessoas, escolher de que ângulo assistir, lembrar que nas apresentações da Legião as meninas sempre escolhiam o lado direito onde você ficava, e que os meninos se aglomeravam desesperadamente no centro. Viver sentimentos tolos e ambíguos como ficar feliz e triste por ter uma máquina digital. É que na época da Legião ainda não existia máquina digital (e se existisse talvez não tivéssemos condições financeiras de tê-la) e todos os seus “milagres”, como a possibilidade de tirar centenas de fotos e a opção de gravação de áudio e vídeo. Uma cópia de foto de show da Legião era algo disputadíssimo. O áudio era registrado em gravadores do tipo walkman, e repassados em fitinhas ainda mais disputadas. Imagina como poderíamos ter ajudado a banda naquela época com registros raros se tivéssemos máquina digital?!

Dado durante passagem de som na Praia do Sonho, em Itanhaém, SP.
Escrito por Jânio Dias às 12h33
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E o seu show, hein? Que bacana que tá! Acho que você surpreendeu um monte gente como cantor. O resultado é muito melhor que o anseio vivido. E que banda bacana você montou! O Fred, como é bom ver o Fred no palco, seja com o Bonfá, o Capital ou o Jerry Adriani, é sempre muito bom! O grande produtor e guitarrista Carlo Bartolini e o não menos grande Laufer, o baixista perfeito para qualquer grande banda. E o seu baterista, Lourenço Monteiro, fecha o quadrado mágico mais um. Senti falta da Lia Galdino. O que aconteceu com ela? Tão jovem, talentosa e linda, uma luz e mistério a mais no palco. Claro, de tanto que vi o dvd senti falta da Paula Toller e de “Jardim de Cactus”. Você não cantará ela sem ela? Se você puder, diga à Paulinha que acho a letra de “Dias” uma preciosidade, e somado a sua melodia, uma pequena obra-prima. Ah, e a minha namorada acha “Diamante” a mais bonita do disco! Congratulações ao Nenung!
O dvd é tão cheio de convidados realmente especiais, que deve ser por isso que você não tocou algumas canções como “Faveloura & Lov” e “Como te Gusta”, né? Aliás, eu fiquei impressionado com sua performance em “Faveloura & Lov”, ao lado do genial Fausto Fawcett. Positivamente impressionado. Porque não é uma canção que tenha a sua cara, é algo totalmente diferente do seu estilo intimista, psicodélico e coberto de camadas sonoras. E você vai lá, num estilão malandro-carioca-cafajeste-burguês dos anos 00, e manda muito bem! E impressionante também são as coisas do futebol, não? Que coisa mais rica ter o Chico declamando um poema no disco! O Renato deve estar orgulhoso. Um golaço!
E por falar em impressionado, o que foi aquilo que aconteceu quando você tentou cantar “Índios” lá na praia?!! Você precisa ensaiar mais! Ah, tudo bem, “Índios” nunca foi simples de cantar mesmo. Eu sempre esperei o Renato começar o verso pra depois continuar! Mas “Perfeição” eu sempre cantei direitinho. E você chegou a me atrapalhar, hein?! Ah, que bela surpresa você nos proporcionou com “Um Dia Perfeito”... duas vezes! Obrigado! E eu achei bem estranho quando você cantou “Quase morri a menos de 22 horas atrás...” e fez igual na segunda vez; mas, pensando melhor, “22 horas” é menos denso, dramático... ficou bacana, sim! Ah, antes que eu me esqueça, “Índios” é música pra cantar no Bis!
E pra terminar, como eu tentei te falar lá pessoalmente, e acho que não consegui porque a voz parecia não sair (acho que eu tava rouco de cantar, né?!), parabéns pelo disco e pelo show. Pela iniciativa de continuar a criar e nos brindar com melodias tão belas, arranjos tão cuidadosos e amigos tão talentosos.
Um grande abraço,
Jânio Dias


O quadrado mágico mais um: Fred, violão; Lourenço, bateria; Dado, vocal e guitarra; Laufer, baixo; Bartolini, super-guitarra.
Escrito por Jânio Dias às 12h33
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