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RED RAIN
The White Stripes, 04/06 em SP
Minhas costas doem, meus rins doem; meu pescoço, braços e pernas doem. E minha cabeça gira de satisfação e alegria. Aquela luz apocalíptica no refrão de “Seven Nation Army” fica indo e vindo na minha frente. Às vezes até sinto que o chão que estou pisando vai fugir do lugar. Acho que pra sempre vou imaginar que Jack White tem parte com o lado bom do Demo, e que a Meg é um anjo que foi seduzido e enfeitiçada por Jack para bem servi-lo, e causar tentação por onde passa e toca.
E como é tentador vê-la tocar. É uma perdição divina do rock. Aquela cabeça levemente inclinada para a esquerda, deixando os cabelos escorrerem pela face, e praticamente cubrindo-a enquanto esmurra angelicalmente sua bateria, é sensualmente hipnótico e divino. A cada estatelada leve e feroz, doce e ácida, Meg parece estar seduzindo meninas e meninos para o lado terno e puro existente no White Stripes. Ela é impar ali, com sua bateria colocada de perfil no espaço onde normalmente existiria um baixo, torna aquela parte do palco um pedaço do Jardim do Éden numa apresentação de rock, conduzida e supervisionada pelo Diabo, digo, por Jack White.

Meg: a Ninfa
Sempre me avisaram que com essa coisa de Diabo não se brinca, por não ser algo do bem. Mas após a noite de 04/06, onde o vermelho (muito vermelho), o branco e o preto inundaram meus olhos, corpo e sensações num mar de efeitos dilacerantes, começo a achar que Jack White é um produto do inferno. Alguns dizem que Deus criou o inferno para punir os maus, que antes já haviam sidos bons. Agora acho que Jack foi criado por Satanás e punido por ele (talvez por ter seduzido Meg) tendo que viver a partir dali na terra (cuidando dela), guardando alguns traços e poderes inerentes à sua criação. Mas Jack descobriu que - às vezes – é bom viver por aqui (cuidando dela), principalmente quando se pode criar e expor lindas, agressivas, suaves, tristes, felizes e até bizarras canções; e, além disso (além de estar sempre com ela), empunhar, tocar, domar, sentir, morrer, ressuscitar, ir do céu ao inferno e voltar, apenas com sua guitarra.
Talvez por isso do casamento sob ás águas do Rio Negro e Solimões, onde o sujo e maléfico se encontram com o puro, cristalino e límpido, tornando-se um só. Talvez por isso do título do disco, Get Behind me Satan (Vade-Retro, Satanás), um anúncio explícito em alto e ruidoso som de sua liberdade e independência, um passo para a redenção rumando para a santificação.

Jack: demônio ou santo camuflado?
Às vezes dá até medo de tão impressionante que é ver Jack no palco passeando e se deliciando entre tantos estilos diferentes, tantas variações que vão do blues à música caipira americana, do folk que lembra os trovadores solitários à canção de ninar, da marimba à serra elétrica, do sofrimento à liberdade, da solidão ao amor fraterno, da felicidade ao rock, do rock à tudo que já foi classificado e denominado como rock.
Mais do que uma dupla que assumem figuras diabólicas e angelicais, Jack e Meg são a junção perfeita de equilíbrio e sincronismo no palco. Não consigo mais imaginar um sem o outro - parecem até que foram feitos um para o outro. Nem dá pra imaginar se há um limite para ele, tudo ali parece ser possível de acontecer, o imprevisível é que torna a existência da banda possível, o surreal é que alimenta a fonte de inspiração de magia e poesia ali; os instrumentos são as harpas dos anjos que esbofeteiam e acariciam; Meg a Ninfa, bela, graciosa e sempre jovem, capaz tanto de fundir-se a seu apaixonado quanto destruí-lo; Jack a mistura de santo e demônio, carregado de dons excepcionais, capaz de encantar, enfeitiçar, ser amado ou temido, idolatrado e seguido, de inventar e criar; capaz de ser pra sempre lembrado.
Jack e Meg, nunca esquecerei vocês.
Jack + Meg = The White Stripes
Jânio Dias
Escrito por Jânio Dias às 00h49
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Go back
Deus, quanto tempo longe daqui! Metade do ano se foi, e apenas o relato de um único acontecimento no ano, que triste. E mesmo assim, esse espaço continua sendo visitado, anonimamente visitado, como sempre, mas continua.
Tanta coisa legal aconteceu no mundo do cinema como Neverland – em busca da terra do nunca, Closer - perto demais, Menina de Ouro, Mar a Dentro, Hora de Voltar, Kinsey – vamos falar de sexo; o documentário sobre o Lula durante a campanha eleitoral de 2002, Entreatos; e Peões, sobre os metalúrgicos do ABC, ambos imperdíveis. Todos – na concepção desse que vos escreve – altamente recomendáveis.
Altamente recomendável e de olhos fechados é: Star Wars - episódio III – A Vingança dos Sith. Pode ser cedo ainda, mas, na minha opinião, o melhor dos seis filmes da saga de George Lucas.
Cd novo do Interpol, que lindo... Livro novo do Nick Hornby sobre as 31 canções de sua vida; show do Tom Zé, me Deus, esse merecia páginas e páginas... A exposição sobre o Chico Buarque... essa merecia um final de semana de meditação... Ir ao Morumbi sob chuva e ver o Palmeiras perder para o Corinthians... não, esse foi bem esquecido.
Mas o melhor mesmo, o melhor acontecimento do ano até aqui (o melhor até aqui porque tem um bochicho por aí de Morrissey e Strokes até o ano acabar, que, não sei não...), aconteceu nesse último fim-de-semana. Show da mega banda de dois, que alguém já disse “são dois, mas às vezes parece que são vinte”, White Stripes, aconteceu 04/06 em São Paulo, lá no indecente Credicard Hall.
Acima, conto as sensações que senti, e as impressões que ficaram.
Escrito por Jânio Dias às 00h11
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