Will you still love me when I´m 64?
Há algum tempo atrás eu li no blog da Jú (menina do Rio... sol tatuado nas costas... eterno flerte, adoro ver-te, adoro ler-te...) a seguinte frase: “Will you still love me when I´m 64?”. Isso mexeu relativamente e momentaneamente comigo. Nunca faço planos, nunca programo nada. Deixo o acaso tomar conta. E após ter assistido ao comovente e lúdico Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, onde o personagem principal tem como característica secundária na história correr instintivamente e de forma profundamente determinada atrás de suas convicções e sonhos, e ao final da vida continuar ao lado e devotando amor eterno à mesma mulher que um dia teria feito o tempo parar quando ele a viu pela primeira vez, e ali ele soube que seu futuro seria para sempre com ela, alguma coisa aconteceu aqui dentro. A soma de algumas sensações abstratas fez com que de alguma forma o tempo por aqui também parasse, congelasse em suposições; ou simplesmente, me fez pensar naquilo que não faço ou penso, ou evito pensar: no futuro.
No futuro dos meus discos e músicos preferidos – Que tipo de música estarei ouvindo? Eles terão se tornado em Jhonny Cash e Neil Young?
No futuro do cinema – Eu ainda irei ao cinema num sábado à noite ou domingo de tarde?; ou numa quarta-feira, mais para sentir prazer em pagar meia do que assistir à um belo filme?
No futuro histórico dos autores que li – Será que eles ainda serão lidos e considerados contemporâneos e pop’s?
No meu futuro profissional – Será que até lá terei encontrado prazer e alegria nele? Será que terei me encontrado?
No futuro do partido que prometeu o sonho e a esperança e que 35 anos antes já perdeu a alegria – Que lugar de destaque na história o futuro lhe reserva?
No futuro das imbecilidades humanas, governos e guerras – Quantos Word Trade Center terão sido destruídos? Quantas pessoas continuarão morrendo de fome e Aids? A riqueza nacional continuará nas mãos de meia dúzia de pessoas e mais meia dúzia de banqueiros? Sim, continuará.
No futuro das coisas mais belas, simples e sem importância – Será que o Palmeiras terá mais títulos que o Corinthians? Será que minhas três filhas chegarão a conclusão que toda escolha reflete necessariamente no seu futuro? Ou será que elas serão mais espertas e felizes não se preocupando com o futuro? Será que com 64 eu começarei a pensar no futuro? Será que a sala da casa será cheia de – literalmente – velhos amigos lembrando dos shows, bandas, festas, bebidas, jogos, escapadas, mentiras que homens contam, choros, sorrisos, e amores vividos? Amores que aconteceram e se perderam; dos amores conquistados e não vividos. Do amor finalmente reconhecido.
Será que quando eu estiver com 64 você ainda vai gostar de mim? Você estará ao meu lado, mesmo velho, cansado e derrotado? E principalmente, você ainda me amará como um vencedor?
Jânio Dias
Escrito por Jânio Dias às 12h53
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